Acerto de calendário após compromissos europeus nos quais Benfica e Turquel triunfaram frente a equipas Suíças, respetivamente 14-2 ao Montreux na Luz e 3-5 ao Genève na Suíça. Tradicionalmente, na Luz, o HCT consegue colocar algumas dificuldades aos encarnados e o jogo desta quarta-feira não foi exceção. A equipa comandada por Jorge Godinho teve uma atitude defensiva irrepreensível, contando com um Tuga muito inspirado na defesa da sua baliza e sempre que pôde, no primeiro tempo, colocou à prova o “gigante” guardião encarnado, Pedro Henriques, que mostrou porque neste momento é um dos melhores do mundo. Perante um Benfica com pressa em marcar, para poder controlar as operações a seu gosto, o golo teimou em não aparecer durante os primeiros vinte e cinco minutos (0-0 ao intervalo) e durante mais sete minutos do segundo tempo. Quando os da casa já mostravam alguma ansiedade, voltaram a surgir as tendências de um passado recente, que desequilibraram por completo os “pratos da balança” e que em pequenos pormenores foram “pondo o pé em cima da cabeça” dos “pequeninos”. Uma luta desigual, sem precedentes e à qual ninguém responsável consegue “meter mão”. No final, 4-0 favorável aos visitados.

Primeiro tempo, tal como esperado, com ascendente inicial por parte do Benfica, que entrou com tudo para poder resolver as coisas logo nos primeiros minutos. Os encarnados pressionaram sempre com propósito a saída de bola do HCT, obrigando as suas linhas recuadas a bombearem bolas ou a errarem passes em zonas proibidas. Ainda assim Tuga foi dando excelentes indicações logo desde início e travou o ímpeto primário dos da casa, parando inclusive, com uma defesa do outro mundo, uma penalidade ao argentino Carlos Nicolia, a castigar toque de Daniel Matias no stique de um contrário. Os sete minutos finais deste primeiro período tiveram claro ascendente turquelense, que conseguiu tapar todos os caminhos para a sua baliza e sair várias vezes em transições que deram constantes situações de 2x1 e inclusivamente duas situações de 1xGR que Luís Silva (permitiu a defesa a Pedro Henriques) e André Pimenta (atirou ao poste) não conseguiram aproveitar. Antes do descanso destaque para uma penalidade claríssima sobre Pedro Vaz (foi agarrado ostensivamente) que não foi assinalada e no outro lado para uma longa distância fortíssima de Miguel Rocha que só o travessão da baliza de Tuga evitou que o marcador mexesse. Ao intervalo o resultado cifrava-se num “estranho” 0-0.                 

No segundo tempo a tendência manteve-se e as nuances táticas impostas por Jorge Godinho logo no início da etapa complementar criaram instabilidade nos visitados, o que deixou alguma margem de manobra aos jogadores alvinegros para se poderem aclimatar ao que a partida lhes ia trazendo. Contudo, depois de se ter verificado uma igualdade (3-3) em faltas de equipa ao intervalo, a dupla de arbitragem de Lisboa, Miguel Guilherme e Ricardo Leão, começou a carregar o HCT com faltas nas mais variadas formas, sendo por toques mínimos nas tabelas ou por supostas simulações (três no espaço de três minutos) e a “balança” começou a desequilibrar. Com sete minutos jogados no segundo tempo, e com o Benfica a mostrar algum desespero por a bola não entrar, Miguel Rocha leva um ligeiro toque de Daniel Matias, traçando um cenário de falta dura que não correspondeu à realidade. No entanto, o juiz principal, Miguel Guilherme, correspondeu ao espalhafato da queda do camisola 44 encarnado e admoestou Daniel Matias com uma cartolina azul “mentirosa”. Na conversão de respetivo livre direto o especialista catalão, Jordi Adroher, não conseguiu levar a melhor perante um Tuga a realizar uma exibição de sonho. Em inferioridade numérica os forasteiros aguentaram-se como puderam, mas não conseguiram evitar o primeiro golo do jogo, da autoria de Carlos Nicolia que, com um remate seco e rasteiro, enganou um Tuga até então intransponível. O HCT tentou reagir, mas foi sempre uma equipa muito “curta” neste segundo tempo e acusou um pouco o cansaço do jogo frente ao Genève e da viagem à Suíça. A cerca de onze minutos do fim caiu a 10ª falta de equipa do Turquel e Jordi Adroher, na cobrança do devido livre direto, mostrou habilidade, num lance de beleza rara, mas que deveria ter sido invalidado por Ricardo Leão, tendo em conta que o camisola 7 dos encarnados subiu o stique acima do que a lei permite (tal como a foto em cima documenta), finalizando com a bola na linha da sua própria cabeça. Mais uma vez a situação passou incólume e os protestos dos jogadores visitantes de nada valeram. Cinco minutos depois, numa fase em que os jogadores do HCT procuravam tirar algo mais deste jogo, surge o 3-0, depois de Tuga ter aliviado uma bola para a frente que foi intercetada no meio-campo por Nicolia. O argentino avançou com ela e assistiu Jordi Adroher ao segundo poste para este “bisar” e dar uma “machadada” no encontro. Nos últimos segundos novo cartão azul, desta feita mostrado a Janeka depois de um encosto em Diogo Rafael, ao qual Ricardo Leão respondeu de forma exacerbada. Na conversão do devido livre direto Vieirinha, mais uma vez, não conseguiu bater Tuga, mas o camisola 74 encarnado não deu o lance como perdido e assistiu de forma primorosa João Rodrigues que, de primeira, “picou o ponto” fechando as contas em 4-0, num resultado tão enganador quanto injusto. Realce final para o número de faltas de equipa dos dois conjuntos, depois do 3-3 em faltas ao intervalo, o jogo terminou com 5-11, naquele que é um excelente indicador de como as coisas correram na segunda metade da partida.

Ficha Técnica:

Local: Pavilhão Fidelidade, Estádio da Luz - Lisboa

Dia/Hora: 8 de novembro de 2017, às 21H

Competição: Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Hóquei em Patins 2017/18 (3ª jornada)

Árbitros: Miguel Guilherme (Lisboa), Ricardo Leão (Lisboa), Rui Nave [3º árbitro] (Lisboa) e Fernando Cabaço [4º Árbitro] (Lisboa)

S.L. Benfica: [1] Pedro Henriques (GR), [2] Valter Neves (C), [4] Diogo Rafael “Chiquinho”, [5] Carlos Nicolia (1), [7] Jordi Adroher (2), [9] João Rodrigues (1), [44] Miguel Rocha, [14] Tiago Rafael e [74] Miguel Vieira “Vieirinha”. Não jogou: [10] Guillem Trabal (GR).

Treinador: Pedro Nunes

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [53] Pedro Vaz, [24] André Pimenta, [9] Vasco Luís (C), [7] André Moreira, [22] Luís Silva, [4] Daniel Matias, [57] João Silva “Janeka” e [58] Tiago Mateus. Não jogou: [10] Samuel Santos (GR)

Treinador: Jorge Godinho

Faltas de Equipa: 5-11

Disciplina: Cartão Azul a [4] Daniel Matias (HCT) e [57] João Silva “Janeka” (HCT).

Resultado ao intervalo: 0-0

Resultado Final: 4-0

No próximo sábado, dia 11 de novembro de 2017 pelas 21 horas, o HCT recebe o campeão nacional, F.C. Porto/Fidelidade, um conjunto que soma por vitórias os jogos oficiais realizados esta época e que vem de um concludente triunfo (13-2) em casa para a Liga Europeia frente aos catalães do C.P. Vic. A equipa orientada por Guillem Cabestany é das mais intensas do mundo e o ritmo que impõem em cada lance é avassalador para os adversários, sendo que na quarta-feira não jogou, pois adiou o seu jogo em casa com a Juventude Viana para o próximo dia 21 de novembro. Espera-se casa muito bem composta, tal como é hábito nos jogos grandes em Turquel, e perspetiva-se um excelente encontro, com os “brutos dos queixos” a poderem ter uma palavra a dizer na disputa dos pontos.

Foto: HCTv