Receção do HCT a um F.C. Porto muito forte no início de 2017/2018, embalado moralmente pelo título de campeão nacional conquistado na última jornada de 2016/2017 e que, mesmo com as lesões de início de temporada contraídas pelo guardião Nelson Filipe e pelo defesa/médio Telmo Pinto, contou por vitórias todos os jogos disputados, incluindo a conquista de um título, a Supertaça António Livramento frente ao Tomar. O HCT vinha de uma semana com viagem à Suíça e deslocação à Luz na quarta-feira (derrota por 0-4), mas com o seu pavilhão quase cheio e com a força que possui nos jogos em casa, queria roubar pontos à equipa de do catalão Guillem Cabestany. O jogo foi “rasgadinho” e sempre muito disputado, com os atletas de ambos os conjuntos a darem tudo, mas com os forasteiros a adiantarem-se cedo por intermédio de Gonçalo Alves, ele que foi a figura do encontro. Apesar das tentativas, de duas bolas paradas a seu favor e de um golo mal anulado pela equipa de arbitragem, o HCT não conseguiu encurtar distâncias, muito também por culpa de Carles Grau, o guardião catalão ao serviço dos azuis e brancos, que mostrou excelentes argumentos para as investidas dos visitados e levou a sua equipa para os balneários a vencer por 0-1. O segundo tempo teve de novo equilíbrio, mas em pouco mais de um minuto o Porto fez três golos (dois de Gonçalo Alves e um grande golo de Reinaldo Garcia) que deixaram os alvinegros no “tapete” e que fixaram o resultado num 0-4 muito enganador. Do lado turquelense os guarda-redes Tuga (em grande momento) e Samuel Santos (entrou muito bem nos derradeiros nove minutos do encontro) brilharam a grande nível.

Primeira parte com entrada forte do Porto que ia marcando logo na jogada de saída e que não demorou muito tempo para inaugurar o marcador. O génio de Gonçalo Alves soltou-se na aldeia do hóquei logo aos três minutos, com o camisola 77 dos dragões a aproveitar uma má transição ofensiva entre André Moreira e o capitão Vasco Luís, para “partir os rins” ao segundo e passar por Tuga com a maior facilidade do mundo, fazendo o 0-1. Este golo marcou a tendência do primeiro tempo, o Porto procurou sempre chegar-se mais à frente, mas apenas conseguiu criar perigo de meia-distância, sendo que Tuga mostrou muita competência nesse campo. Por seu turno o HCT manteve a toada de jogar em transições rápidas, e teve as suas chances para deixar tudo nivelado à saída para o intervalo, incluindo uma penalidade (falta de Hélder Nunes sobre Vasco Luís) e um livre direto (azul a Jorge Silva por entrar em rinque de forma irregular, com o Porto a ter momentaneamente seis atletas em rinque com o jogo em andamento), as quais Vasco Luís e Janeka, respetivamente, não conseguiram transformar em golo (mérito total para as boas intervenções de Carles Grau). Antes do descanso, destaque ainda para um lance polémico na área do Porto, depois de um primeiro remate defendido por Grau (cotou-se como um dos melhores homens em rinque), a bola acabou mesmo por entrar na baliza visitante na recarga, introduzida pelo capitão Vasco Luís. Um dos árbitros da partida, João Duarte, anulou o golo assinalando golpe duplo, quando a bola nunca esteve presa ou “escondida” em parte alguma, tendo o juiz da partida apitado já depois de a bola ter entrado, num momento inequívoco de precipitação. No final dos primeiros vinte e cinco minutos o Porto estava em vantagem por “magro” 0-1.

No segundo tempo nada mudou em termos de atitude, o HCT estava bem no jogo e manteve a postura, com uma defesa sólida e rápidas transições que punham em sentido os portistas. Com sete minutos jogados o HCT teve um contra-ataque de 2x1 em que Vasco Luís assistiu Daniel Matias e se desmarcou ao segundo poste, ficando completamente só para encostar, mas o camisola quatro alvinegro preferiu não endossar a bola, stickando para excelente defesa de Grau e na resposta Gonçalo Alves revelou-se mortífero, rematando seco e rasteiro ao primeiro poste, ludibriando Tuga por completo. Foi o “bis” do camisola 77 e o 0-2 no marcador. Sem tempo para respirar e acusando claramente o toque, a equipa comandada por Jorge Godinho desconcentrou-se e apenas vinte segundos depois sofreu o 0-3, num lance de pura “magia” do argentino Reinaldo Garcia, ele que ludibriou a marcação de André Moreira e a ajuda de Daniel Matias para entrar na área e colocar a bola no ângulo superior direito da baliza de Tuga. Como um azar nunca vem só, este decidiu aparecer em “dose tripla”, pois no minuto seguinte, Hélder Nunes, com uma assistência magnífica, descobriu um Gonçalo Alves fugido à marcação de Vasco Luís no primeiro poste e que só teve de encostar para o fundo da baliza de um Tuga completamente desamparado, completando o seu “hat trick”. Faltavam dezassete minutos para o fim e os forasteiros tinham dado uma “machadada” grande no jogo e nas aspirações visitadas, conseguindo um 0-4 que não espelhava em nada aquilo que se tinha passado em rinque até então. A nove minutos do fim, penalidade para o Porto, após Pedro Vaz ter dado um toque no stique de Ton Baliu às margens da lei no interior da área alvinegra, com Gonçalo Alves a ter a hipótese de completar o seu “poker”. No entanto, o avançado azul e branc atirou ao lado da baliza do recém entrado Samuel Santos, para na recarga permitir uma excelente intervenção ao guardião turquelense. Até final o resultado (0-4) não se alterou, e Samuel Santos e Carles Grau foram mesmo os elementos que mais brilharam, cada um deles na respetiva baliza, com destaque para o catalão do Porto, que nos últimos segundos de jogo ainda parou novo livre direto, desta feita ao jovem Tiago Mateus, ele que entrou para atuar os últimos minutos do encontro.                 

Ficha Técnica:

Local: Pavilhão Gimnodesportivo de Turquel

Dia/Hora: 11 de novembro de 2017, às 21H

Competição: Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Hóquei em Patins 2017/18 (4ª jornada)

Árbitros: Luís Peixoto (Lisboa), João Duarte (Lisboa), Gisela Infante [3º árbitro] (Lisboa) e Pedro Sousa [4º árbitro] (Leiria)

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [53] Pedro Vaz, [24] André Pimenta, [9] Vasco Luís (C), [7] André Moreira, [10] Samuel Santos (GR), [22] Luís Silva, [4] Daniel Matias, [57] João Silva “Janeka” e [58] Tiago Mateus.

Treinador: Jorge Godinho

F.C. Porto/Fidelidade: [1] Carles Grau (GR), [78] Hélder Nunes (C), [57] Reinaldo “Nalo” Garcia (1), [77] Gonçalo Alves (3), [9] José “Rafa” Costa, [15] Jorge Silva, [88] Anton “Ton” Baliu, [47] Álvaro “Alvarinho” Morais e [5] Telmo Pinto. Não jogou:. [10] Nelson Filipe (GR)

Treinador: Guillem Cabestany

Faltas de Equipa: 8-10

Disciplina: Cartão Azul a [15] Jorge Silva (FCP) e [9] Vasco Luís (C) (HCT).

Resultado ao intervalo: 0-1

Resultado Final: 0-4

No próximo sábado, dia 18 de novembro de 2017 pelas 19 horas, o HCT desloca-se ao novíssimo Pavilhão João Rocha, nova casa das modalidades do Sporting C.P., fechando o ciclo com os três grandes. Os leões de alvalade fizeram mais um investimento avultado no início da temporada, com a entrada de quatro novos jogadores, todos eles internacionais pelos seus países, a saber, Matias Platero (Argentina, ex-Reus de Espanha), Toni Pérez (Espanha, ex-Liceo da Corunha), Henrique Magalhães (Portugal, ex- Liceo da Corunha de Espanha) e Vítor Hugo (Portugal, ex-Porto). O técnico Paulo Freitas, que assumiu os destinos da equipa a meio da temporada passada, conta ainda com mais algumas das maiores estrelas mundiais da modalidade, como são os casos do guardião Ângelo Girão, do catalão Pedro Gil, do luso-angolano João Pinto, de Caio, entre outros. Será um encontro de grau de dificuldade máximo para os turquelenses, mas a equipa orientada por Jorge Godinho irá esgrimir os seus argumentos e tentar trazer pontos para Turquel.

Fotos: Carmo Honório