Início da segunda volta do Campeonato Nacional da 1ª Divisão e o “filme” a repetir-se de forma inequívoca aquando da receção ao Braga no último jogo da primeira volta. Desta feita o HCT recebeu no seu reduto outra equipa minhota, o OC Barcelos SAD, e voltou a empatar (sexto empate em catorze jogos e a quinta igualdade intramuros). O encontro teve de tudo e apresentou contornos muito idênticos com aquele que foi disputado frente aos bracarenses, pois a equipa turquelense esteve a vencer por 2-0, deixou o adversário virar e apesar de mais à frente no jogo ter passado para a frente, nunca conseguiu gerir as emoções a contento para ficar com a vitória do seu lado, isto a juntar a algumas decisões dúbias da equipa de arbitragem de Aveiro, que acabou por ter dificuldades em segurar um jogo muito quezilento, dentro e fora de rinque, com as duas claques (Brutus 1964 e Kaos Barcelense) também a esgrimirem argumentos pouco válidos nas bancadas e com o resultado final a cifrar-se num empate a cinco bolas, que não agradou a qualquer um dos lados.

 

Primeiros minutos do primeiro tempo fortes de parte a parte, com o HCT a querer limpar a imagem deixada no último jogo em casa frente ao Braga e o Barcelos a demonstrar vontade para conseguir chegar-se à frente no marcador logo desde cedo. O rapidíssimo Rúben Sousa e o astuto Hugo Costa iam dando “água pela barba” aos defesas turquelenses e do outro lado as ações coletivas dos da casa tiveram expressão aos dez minutos, com lance de entendimento entre André Moreira e o capitão Vasco Luís, com o primeiro a assistir o segundo de forma aérea e o melhor marcador do HCT a conseguir ultrapassar a oposição do experiente guardião, Ricardo Silva, com um remate de primeira de belo efeito. Estava feito o 1-0 para gáudio dos muitos adeptos presentes. O ambiente estava infernal, com as claques de ambos os conjuntos a entoarem cada uma delas os cânticos de apoio às respetivas equipas e com sete minutos para jogar no primeiro tempo Pedro Vaz “bombeou” uma bola para a área do Barcelos no limite dos 45 segundos do tempo de ataque e Daniel Matias surgiu oportuno para desviar e fazer o 2-0. O tento estava consumado, mas António Santos, um dos árbitros da partida acabou por se equivocar e atribuiu o golo a Luís Silva, que se encontrava por perto. Com o 2-0 no marcador tudo parecia encaminhar-se para o HCT chegar na frente no descanso. No entanto, tal como frente ao Braga no fim-de-semana anterior, a equipa alvinegra perdeu a vantagem que tinha e em menos de dois minutos deixou que o Barcelos conseguisse a igualdade. Primeiro num livre à entrada da área em que Marinho assistiu Rúben Sousa, sendo que o camisola 66 minhoto “furou” a barreira e deu “vida” (2-1) aos de Barcelos. Um minuto depois, o mesmo Rúben Sousa bombeou uma bola para o interior da área visitada e o oportunismo de Hugo Costa fez o resto, desviando subtilmente a bola de Tuga e fazendo o 2-2 com que se chegou ao descanso.

No segundo tempo os de Barcelos entraram com mais vontade que o seu adversário e os alvinegros, tal como com o Braga, no início da segunda metade, mostraram alguma apatia. Aos quatro minutos caiu a 10ª falta de equipa dos de Turquel e José Pedro, chamado à conversão do devido livre direto permitiu o desarme de Tuga. No entanto, uns segundos depois, num lance precedido de falta sobre Daniel Matias (Hugo Costa levantou-lhe ostensivamente o stique quando este se preparava para rematar), Hugo Costa combinou com Marinho e este último, perante a oposição de Luís Silva, assistiu de forma primorosa o primeiro que encostou de primeira, fazendo o seu “bis” no encontro e o momentâneo 2-3. Foi um “balde de água fria” para jogadores e adeptos da casa, que viam o “filme” do jogo com o Braga reeditar-se. No entanto a equipa reagiu de forma positiva e no imediato, sendo que um minuto depois do terceiro golo barcelense, Vasco Luís recebeu uma bola de Daniel Matias na direita do ataque, passou a oposição de José Pedro, e isolado perante Ricardo Silva permitiu uma excelente intervenção ao guardião minhoto, mas pegou o ressalto e assistiu André Pimenta de forma simples, com o camisola 24 a atirar de primeira para restabelecer a igualdade (3-3) e anotar o seu terceiro golo em apenas dois jogos. Este foi um lance muito contestado pelo Barcelos, principalmente por Rúben Sousa, que num momento anterior caiu desamparado no meio rinque, tendo pedido falta, mas as imagens documentam que este caiu completamente sozinho, sem ação de qualquer jogador do HCT, pelo que o seu protesto não teve razão de ser, nem qualquer tipo de fundamento. A partir daqui o cariz do encontro alterou-se, os turquelenses passaram a estar por cima e foram em busca dos três pontos de forma decidida. Com treze minutos para jogar Joca Guimarães prensou Luís Silva na tabela e viu a consequente cartolina azul, sendo que o mesmo Luís Silva assumiu a responsabilidade de converter o livre direto e não falhou, colocando o HCT novamente em vantagem (4-3). O jogo estava em toada de parada e resposta, mas o Barcelos estava tapado com faltas de equipa e quando caiu a 10ª, Luís Silva teve oportunidade para recolocar os turquelenses com nova vantagem de dois golos, tal como no início da primeira metade, no entanto o atleta natural de Valado dos Frades atirou um autêntico “míssil” que só foi travado pela trave da baliza de Ricardo Silva, num momento de infortúnio para os da casa. Dois minutos depois, num lance completamente “cavado” por Afonso Lima no confronto sem bola com Pedro Vaz no interior da área visitada, o árbitro Manuel Oliveira descortinou uma infração do camisola 53 alvinegro e levou Rúben Sousa para a marca de penalty, para o frente a frente com o recém-entrado Samuel Santos. O guardião natural de Turquel tentou tudo, mas não conseguiu parar o “bis” de Rubinho e o consequente 4-4. O técnico Jorge Godinho pediu então o seu timeout e a equipa retificou posições e melhorou a saída em transição ofensiva, sendo que numa dessas saídas Vasco Luís foi rasteirado de forma negligente por João Almeida, tendo o camisola 6 minhoto visto a cartolina azul. Na conversão do respetivo livre direto Vasco Luís “fuzilou” Ricardo Silva, “bisou” também ele no encontro e fez o 5-4, resultado que dava nova vantagem à equipa da casa. Os “brutos dos queixos” tinham agora de gerir as emoções, defender de forma aguerrida, mas em simultâneo conter ímpetos pois estavam tapados com faltas de equipa. Contudo, a equipa teve dificuldades em gerir emoções e fez faltas desnecessárias, algumas delas logo após a perca de bola em posição ofensiva e a 15ª falta de equipa caiu a seis minutos do fim. Chamado à conversão do devido livre direto Marinho, tal como José Pedro no início desta etapa complementar, não conseguiu também ele ultrapassar a oposição de Tuga. Tudo parecia encaminhado e a equipa turquelense aparentava segurança, mas novo penalty, desta feita conquistado por Hugo Costa, após ligeiro toque de Vasco Luís, levou de novo Rúben Sousa para a marca de penalidade e, desta feita frente a Tuga, Rubinho voltou a não desperdiçar, anotando o seu “hat trick”, igualando o jogo a cinco bolas e cotando-se como o homem do jogo. Até final ambas as equipas tentaram tudo para levarem os três pontos para o seu lado, mas não conseguiram, sendo que as melhores oportunidades pertenceram aos da casa, com três ocasiões soberanas para fazerem o 6-5. Primeiro foi André Pimenta a desenvencilhar-se de dois jogadores e a surgir no “cara a cara” com Ricardo Silva, mas a não arriscar o remate e a preferir assistir Vasco Luís que, ao segundo poste, não acertou na bola. Em seguida foi o mesmo Vasco Luís que surgiu isolado após excelente combinação com Pedro Vaz num 2x1, mas não conseguiu passar pelo experiente Ricardo Silva, este último que assumiu protagonismo nos minutos finais. Por fim o mesmo Vasco Luís, em jogada de laboratório nas costas da baliza, teve o golo escancarado, mas precipitou-se na finalização e permitiu nova dupla intervenção ao guardião minhoto. O resultado final cifrou-se mesmo na igualdade a cinco bolas, sendo que no final existiram algumas “escaramuças” entre atletas dos dois conjuntos, que foram rapidamente sanadas por colegas, responsáveis e força policial, tendo tudo acabado em bem.

Ficha Técnica:

Local: Pavilhão Gimnodesportivo de Turquel

Dia/Hora: 27 de janeiro de 2018, às 21H

Competição: Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Hóquei em Patins 2017/18 (14ª jornada)

Árbitros: António Santos (Aveiro), Manuel Oliveira (Aveiro), António Peça [3º Árbitro] (Leiria), Vítor Roxo [4º Árbitro] (Leiria)

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [24] André Pimenta (1), [53] Pedro Vaz, [9] Vasco Luís (C) (2), [7] André Moreira, [10] Samuel Santos (GR), [22] Luís Silva (2) e [4] Daniel Matias. Não jogaram: [57] João Silva “Janeka” e [58] Tiago Mateus.

Treinador: Jorge Godinho

O.C. Barcelos SAD: [01] Ricardo Silva (GR) (C), [4] José Pedro Pereira, [66] Rúben Sousa “Rubinho” (3), [6] João Almeida, [9] Hugo Costa (2), [77] Mário Rodrigues “Marinho”, [64] Afonso Lima e [7] João “Joca” Guimarães. Não jogaram: [29] André Almeida (GR) e [8] Pedro Silva.

Treinador: Paulo Pereira

Faltas de Equipa: 18-12

Disciplina: Cartão Azul a [7] João “Joca” Guimarães (OCB) e [6] João Almeida (OCB).

Resultado ao intervalo: 2-2

Resultado Final: 5-5

No próximo sábado, 3 de fevereiro de 2018 pelas 21 horas, o HCT desloca-se até ao mítico “Casablanca”, pavilhão do C.D. Paço de Arcos, equipa que tem sido uma das desilusões da prova, tendo em conta a qualidade dos jogadores que o seu plantel apresenta e que somou apenas oito pontos em catorze jogos já disputados. Na primeira volta em Turquel a vitória sorriu aos pupilos de Jorge Godinho por esclarecedores 8-3. Os comandados de Luís Duarte serão certamente um adversário bem difícil de ultrapassar e só um HCT muito sólido defensivamente poderá transpor mais este obstáculo. Será com toda a certeza um encontro emotivo e interessante, com muito público nas bancadas, sendo que a deslocação dos turquelenses para apoiarem a sua equipa será fundamental para a equipa atingir o sucesso. Todos a Paço de Arcos!

Fotos: Carmo Honório