Clássico da Zona Centro a contar para a 21ª Jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão, com o Tomar a receber o HCT no Pavilhão Municipal Cidade de Tomar. Na primeira volta em Turquel as duas equipas tinham empatado a duas bolas e o bom momento dos visitados na época, fazia prever muitas dificuldades à equipa orientada por Nelson Lourenço, que procurava vencer em Tomar para almejar a terceira vitória consecutiva e assim consolidar a sua posição de fuga aos lugares de despromoção. O início foi prometedor para os forasteiros, que dominaram os primeiros 10 minutos do encontro a toda a linha, tendo inaugurado o marcador e enviado duas bolas ao ferro da baliza de Diogo Alves. A partir do meio do primeiro tempo algo se alterou em rinque, o Tomar reagiu forte e a equipa de arbitragem, liderada por Paulo Baião e José Nave, começou a assumir protagonismo, levando o jogo para situações de “apito fácil”, para o assinalar desmedido de faltas de equipa e para a admoestação de cartões azuis em catadupa, todos para o lado alvinegro, adotando uma conduta afetada e desproporcionalmente altaneira. O encontro ficou desde cedo “manchado”, o Tomar virou então os acontecimentos, chegou ao intervalo a vencer, ao converter dois dos três livres diretos de que dispôs no primeiro tempo, e no segundo tempo os da casa entraram mais fortes, aproveitaram o imenso desnorte dos jogadores alvinegros, que além de terem tido o seu pior momento no encontro, “sucumbiram” de forma frustrada às recorrentes decisões de arbitragem que iam “atolando” os “brutos dos queixos” com faltas de equipa e com azuis (6 no total, mais dois vermelhos para o staff no final do encontro). O 5-1 que se registava logo aos 10 minutos da segunda metade acabou por não permitir uma reação mais forte aos que viajaram desde a aldeia do hóquei e o 7-4 final espelha um desequilíbrio que não existiu. O HCT foi literalmente “impelido” e “caiu” em Tomar, mas a desonestidade e a premeditação devem ser ripostadas com total desprendimento e com trabalho árduo e contínuo. Nota final para o facto de não poder ser assacada qualquer tipo de culpa à equipa orientada por Nuno “Manel” Domingues, que fez o seu trabalho muito bem feito, aproveitou 4 (duas delas na recarga) das 7 oportunidades que teve nas bolas paradas e venceu mais um encontro em casa, o sétimo triunfo em 11 jogos disputados no Municipal Cidade de Tomar.

Primeira parte com entrada muito forte dos turquelenses, e com André Moreira a inaugurar o marcador logo aos dois minutos, desviando na área uma fantástica assistência de André Pimenta. O Tomar sentiu o golo e nunca se conseguiu soltar, vendo nos minutos seguintes Vasco Luís, de forma quase consecutiva, atirar duas bolas ao travessão da baliza de Diogo Alves, uma delas com um “míssil” desde o meio-campo. Com o passar do tempo e com meio do primeiro tempo desenrolado, Vasco Luís surgiu em situação de 1x1 frente a João Sardo, fletiu para a esquerda e foi claramente derrubado pelo camisola 5 nabantino dentro da área, Paulo Baião apitou de pronto e quando se pensava que iria assinalar penalty, marcou de forma incrível simulação ao capitão alvinegro. Começou aqui um descontrolo emocional da equipa de arbitragem, que acumulou decisões dúbias umas atrás das outras e que teve expressão a nove minutos do descanso, num lance em que André Moreira, em ação defensiva, parece ter sido tocado por Paulo Passos com a anca, antes de derrubar Pedro Martins. O chefe da equipa de arbitragem, Paulo Baião, não interpretou dessa maneira e admoestou André Moreira com a primeira de seis cartolinas azuis mostradas aos turquelenses ao longo de todo o jogo. Da marca do livre direto João Sardo atirou ao poste numa primeira instância e depois de três recargas conseguiu restabelecer a igualdade (1-1), perante os protestos dos turquelenses, alegando uma falta de Sardo sobre Tuga (stickada na caneleira) no momento da segunda recarga. Cinco minutos depois Pedro Martins voltou a entrar pela esquerda, passou por Janeka e caiu atrás da baliza de Tuga, com o guardião turquelense a lançar o seu stique, ficando a dúvida se houve toque do guardião no avançado tomarense. José Nave, bem junto ao lance, mandou seguir, abrindo os braços, mas Paulo Baião, posicionado junto ao meio-campo, interrompeu o jogo, correu para junto da ação e admoestou Tuga com a cartolina azul, para estupefação dos responsáveis turquelenses e gáudio dos adeptos nabantinos. Na tentativa de transformação de novo livre direto João Sardo não conseguiu “furar” a oposição do recém-entrado Samuel Santos e em Under-Play os turquelenses conseguiram dois minutos sem sofrer qualquer golo. À entrada para o descanso, no último minuto da primeira metade, caiu a 10ª falta de equipa dos “brutos dos queixos”, contra as 4 acumuladas pelo adversário. Em mais um livre direto o capitão do Tomar, Ivo Silva, encarou Samuel Santos e stickou forte e colocado para levar os da casa a vencerem por 2-1 ao intervalo.        

No segundo tempo os da casa entraram fortes e o HCT teve o seu pior período no encontro. A equipa comandada por Nelson Lourenço teve dez minutos de desinspiração e deitou tudo a perder, com uma prestação defensiva muito abaixo daquilo que tem sido habitual nos últimos jogos. Logo aos quatro minutos Joka entrou pela direita, ludibriou a oposição de André Pimenta e de Vasco Luís para atirar rasteiro ao primeiro poste e fazer o 3-1. O mesmo jogador, três minutos depois, “bisou” na partida, depois de receber um passe do ex-HCT, Paulo Passos, entrar pela esquerda, fugir a André Moreira e enganar Tuga de novo no 4-1. Este golo foi um autêntico “soco no estômago” da equipa forasteira e marcou a tendência dos minutos que restaram até ao final do encontro, pois a partir daqui o jogo ficou totalmente partido, as faltas de equipa sucederam-se e os azuis também, todos para o lado alvinegro. Aos onze minutos Pedro Vaz chocou contra Ivo Silva, e na rotação em queda acertou com o stick nos patins do capitão tomarense, que caiu no solo pouco depois, Paulo Baião não teve dúvidas mais uma vez e mostrou a cartolina azul a Pedro Vaz. O mesmo Ivo Silva foi para o frente a frente com Samuel Santos na tentativa de transformação do devido livre direto, mas não conseguiu ultrapassar a oposição do guardião turquelense. De novo em inferioridade numérica os forasteiros tentaram aguentar a pressão nabantina, mas não conseguiram evitar o 5-1, num lance em que Joka completa o seu “hat-trick” com um remate rasteiro, por baixo do corpo de Samuel Santos. Dois minutos depois, num lance de entendimento entre Janeka e André Moreira, o segundo assiste o primeiro de forma primorosa e de primeira na área Janeka fez o 5-2, que catapultava os visitantes para uma esperada reação. Contudo, a equipa turquelense estava tapada com faltas de equipa e chegou rapidamente à 15ª, com João Sardo a voltar a tentar converter mais um livre direto, mas a esbarrar novamente na oposição de Samuel Santos. Com dez minutos para jogar e um minuto depois do desperdício de Sardo, Pedro Martins ganhou uma bola em zona subida, conquistou um ressalto a Samuel Santos e depois da bola lhe embater no patim e de estar já na tabela lateral, foi derrubado pelo guardião do HCT no interior da área. José Nave entendeu punir a segunda infração, assinalando penalty e mostrando a quarta cartolina azul da tarde ao camisola 10 dos “brutos dos queixos”. Tuga voltou a entrar para tentar defender a penalidade, mas no duelo com Hernâni Diniz não conseguiu levar a melhor e estava feito o 6-2. Com quatro golos de diferença no marcador o HCT forçou a nota, subiu as linhas e conseguiu reduzir na 10ª falta de equipa do Tomar, com Janeka a “bisar” ao converter de forma superior um livre direto no embate com Diogo Alves. O 6-3 chegou quando faltavam sete minutos para jogar e notou-se que os da aldeia do hóquei iam dar tudo até ao fim para encurtarem distâncias e conseguirem aproximar-se no marcador ao máximo. Todavia, um minuto depois de terem reduzido, num lance em que não parece existir qualquer tipo de contacto entre Janeka e João Sardo, Paulo Baião descortinou uma falta que, para espanto geral, deu direito a nova cartolina azul, desta feita com Janeka a ser o visado. Na sequência dos protestos o capitão de equipa, Vasco Luís, pediu satisfações a Baião pelo motivo do azul mostrado a Janeka e viu também ele a cartolina azul, sem que aparentemente tenha faltado ao respeito ao juiz do encontro. Novo livre direto para o Tomar e Hernâni Diniz encarou Tuga, conseguindo, na recarga a um primeiro remate, o seu “bis” e o 7-3. Mesmo com todo o burburinho e sentimento de injustiça que a equipa carregou dentro de si nos últimos minutos de jogo, os atletas do HCT tiveram brio, nunca viraram a cara à luta, controlaram as emoções e conseguiram reduzir para 7-4 no livre direto da 15ª falta de equipa do Tomar, com o capitão Vasco Luís a soltar uma bomba perante a oposição de Diogo Alves e a fixar o resultado final, numa fase do jogo em que a chamada “lei da compensação” imperava e em que o Tomar viu ser-lhes assinaladas, de forma incrível, 10 faltas de equipa em pouco mais de cinco minutos, faltas essas que em outras fases do jogo foram consideradas simulações, alterando-se o critério de forma abrupta. No final as contas são simples de fazer, o Tomar venceu o Turquel de forma oficial pela primeira vez em mais de 10 anos e sem beliscar o triunfo e o mérito dos pupilos de Nuno “Manel” Domingues, que souberam jogar com as incidências, o HCT perdeu um jogo em que o trabalho árduo da equipa e os sacrifícios diários foram postos em causa, no mínimo, de forma desalinhada e impensada, tal como o Resumo do Jogo (Créditos: HCTv) documenta.

Ficha Técnica:

Local: Pavilhão Municipal Cidade de Tomar

Dia/Hora: 21 de abril de 2018, às 18H

Competição: Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Hóquei em Patins 2017/18 (21ª jornada)

Árbitros: Paulo Baião (Lisboa), José Nave (Lisboa), Rui Nave [3º Árbitro] (Lisboa), Gisela Infante [4º Árbitro] (Lisboa)

S.C. Tomar/IPT: [47] Diogo Alves Fernandes (GR), [4] João Lomba, [5] João Sardo (1), [79] Alexandre Marques “Xanoca”, [44] Hernâni Diniz (2), [9] Ivo Silva (C) (1), [20] Paulo Passos, [55] João Alves “Joka” (3) e [74] Pedro Martins. Não jogou: [10] Marco Gaspar (GR).

Treinador: Nuno “Manel” Domingues

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [4] Daniel Matias, [24] André Pimenta, [9] Vasco Luís (C) (1), [7] André Moreira (1), [10] Samuel Santos (GR), [22] Luís Silva, [53] Pedro Vaz, [57] João Silva “Janeka” (2) e [58] Tiago Mateus.

Treinador: Nelson Lourenço

Faltas de Equipa: 19-17

Disciplina: Cartão Azul a [7] André Moreira (HCT), [13] Marco Barros “Tuga” [GR] (HCT), [53] Pedro Vaz (HCT), [10] Samuel Santos [GR] (HCT), [57] João Silva “Janeka“ (HCT) e [9] Vasco Luís (C) (HCT). Cartão Vermelho a [Fisioterapeuta] João Guerra (HCT) e [Presidente] Tiago Guerra (HCT), ambos por protestos, no final do jogo.

Resultado ao intervalo: 2-1

Resultado Final: 7-4

No próximo fim-de-semana a competição volta a parar, em virtude da realização da Final Four da Taça CERS em Lleida, e os alvinegros voltarão à ação apenas no sábado, 5 de maio de 2018 pelas 21 horas, na receção à Juventude Viana. Este encontro é relativo à 22ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão e assume alguma importância para os da casa, que quererão vencer para ficarem ainda mais tranquilos na tabela classificativa. Na primeira volta em Viana do Castelo os visitados venceram por 4-2.  

Fotos de Arquivo: Carmo Honório