Último jogo do Hóquei Clube de Turquel na temporada 2017/2018 e deslocação a Braga na 26ª jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão para defrontar uma equipa em apuros na tabela classificativa. Os pupilos de Vítor Silva, a jogarem em casa, precisavam de vencer para não dependerem do resultado do Valença (recebeu o Valongo no seu reduto) e conseguiram-no (3-2), muito por culpa de uma exibição pouco conseguida dos pupilos de Nelson Lourenço, principalmente no segundo tempo. Na primeira metade, apesar de alguns erros defensivos, os turquelenses conseguiram uma vantagem de 0-2 com que se chegou ao descanso. A segunda metade foi abaixo da média, a equipa alvinegra manteve a postura pouco agressiva no capítulo defensivo e foi sendo cada vez mais curta em ataque, permitindo uma reviravolta a uma equipa bracarense a jogar completamente “sobre brasas”, e que acabou por ter uma mãozinha da dupla de arbitragem que viajou desde Lisboa. Os suspeitos do costume, André Moreira e Vasco Luís, assinaram os golos dos “brutos dos queixos”, num jogo que assinalou a despedida de Tuga, Janeka, Daniel Matias e de Pedro Vaz do clube turquelense. Destaque negativo neste encontro para a lesão do atleta turquelense Pedro Vaz, que no dia da sua despedida, após seis anos a vestir a camisola alvinegra, teve o infortúnio de embater com violência na tabela ainda na 1ª Parte, tendo sido assistido no Hospital de Braga com suspeita de fratura do antebraço esquerdo, lesão que se veio a confirmar.

Primeira metade com entrada morna por parte dos dois conjuntos, que mostrou um HCT a jogar na expetativa e com movimentos lentos e previsíveis e um Braga ansioso, a querer fazer tudo depressa demais, esbarrando sempre na última barreira turquelense, o guardião Tuga que se despediu da guarda das redes turquelenses com uma exibição sólida. Aos dez minutos, num livre frontal junto à área visitada, Luís Silva tocou para André Moreira e este bateu forte e bem junto à barreira, batendo o guardião Francisco Veludo pela primeira vez. Menos de dois minutos depois o mesmo André Moreira assistiu Vasco Luís desde trás da baliza e o capitão do Turquel encostou, dando o segundo “murro no estômago” em pouco tempo, a uma equipa da casa cada vez mais desassossegada. A reação ao 0-2 foi quase imediata, já que um minuto depois Pedro Vaz perdeu uma bola em ataque e o contra-ataque de 3x2 dos bracarenses terminou num lance em que André Moreira dá um toque meio na bola meio no stick de Pedro Delgado “Bekas”. O juiz Luís Peixoto mostrou excesso de zelo e “foi na cantiga” da queda aparatosa do camisola 73 bracarense, admoestando Moreira com a cartolina azul, sem que nada o fizesse prever. Na tentativa de transformação do livre direto Bekas não conseguiu levar a melhor sobre Tuga. Até ao intervalo o destaque vai inteiro para o lance da lesão referida em cima, com Ângelo Fernandes a prensar Pedro Vaz de forma inadvertida na tabela de fundo ofensiva dos visitantes e o camisola 53 dos da aldeia do hóquei a terminar prematuramente a sua carreira de alvinegro ao peito. Até ao descanso o jogo foi repartido e o perigo rondou sempre de forma mais intensa a baliza de Tuga, mas o futuro guarda-redes do S.L. Benfica ia mostrando categoria e ajudou a levar a sua equipa com dois golos de vantagem para o intervalo.

Após o descanso esperava-se uma reação forte e decidida por parte dos jogadores da casa, e isso veio a acontecer. Com um minuto de jogo decorrido, Bekas roubou uma bola em zona subida a Tiago Mateus, num lance que parece ter-se desenrolado à margem das leis, e conseguiu colocar a bola pelo buraco da agulha, perante a oposição do recém-entrado Samuel Santos na baliza forasteira. Ficaram muitas dúvidas quanto à legalidade do lance e se a bola entrou ou não, mas João Duarte não teve dúvidas, validou o golo e proporcionou a primeira explosão de alegria aos adeptos da casa no lance do 1-2. O Braga sentiu a força vinda das bancadas e carregou sobre uma equipa do Turquel muito presa de movimentos, principalmente nas ações defensivas, assim como na saída para o ataque. Aos seis minutos Janeka derrubou Gonçalo Meira na área e Márcio Rodrigues assumiu a responsabilidade de tentar converter o penalty, mas Samuel Santos disse que não e fez uma defesa espetacular. Cinco minutos volvidos, num lance conduzido pela esquerda do seu ataque o irrequieto Gonçalo Meira tentou assistir Gonçalo Suíssas pelo ar ao segundo poste, a bola caprichosamente bateu no braço de Samuel Santos e só parou no fundo da baliza do guardião turquelense. Estava feito o empate a duas bolas e o Braga sonhava com a vitória, pois os ecos que chegavam de Valença não abonavam a seu favor, sendo que o Valença ia vencendo o Valongo no seu reduto. Logo depois do 2-2 caiu a 10ª falta de equipa do Braga, Vasco Luís avançou para a tentativa de transformação do respetivo livre direto, mas não conseguiu vencer a oposição de Veludo, ele que claramente se mexeu bem antes da bola partir. Os protestos turquelenses de nada valeram e o jogo prosseguiu, sempre com o Braga a criar mais perigo e com Samuel Santos a responder de forma muito positiva. A cerca de seis minutos do fim Gonçalo Meira fez uma diagonal longa desde a direita até à esquerda do seu ataque e atirou-se em voo por cima dos stiques dos seus adversários. Luís Peixoto foi claramente ludibriado pelo aparato da queda do jovem internacional português e mostrou nova cartolina azul a Moreira, a segunda neste jogo para o camisola 7 forasteiro. Bekas assumiu de novo a conversão do livre direto, não conseguiu ultrapassar a excelente oposição inicial de Samuel Santos, mas na recarga foi mais lesto a reagir do que o guardião visitante e atirou a contar para “bisar”, fazer o 3-2 e operar a reviravolta no marcador. Até final o Braga controlou as operações, abdicou de ir para a baliza e o HCT tentou de tudo para chegar pelo menos ao empate, mas Veludo esteve à altura e já nos segundos finais Janeka, também na sua despedida, viu nova cartolina azul, por derrube ostensivo a Gonçalo Meira. Com o dito popular no pensamento que…“à terceira é de vez”, Bekas foi no frente a frente com Samuel Santos e voltou a perder o duelo, com o guarda-redes natural de Turquel a efetuar mais uma excelente intervenção. Não havia mais tempo para jogar, a partida terminou logo a seguir com o 3-2 a ser o resultado final e a festa passou da bancada para o interior do rinque, com os adeptos e os atletas do Braga a festejarem a permanência no principal escalão do hóquei nacional como se de um título se tratasse.  

Ficha Técnica:

Local: Pavilhão das Goladas - Braga

Dia/Hora: 9 de junho de 2018, às 18H

Competição: Campeonato Nacional da 1ª Divisão de Hóquei em Patins 2017/18 (26ª jornada)

Árbitros: Luís Peixoto (Lisboa), João Duarte (Lisboa), Pedro Figueiredo [3º Árbitro] (Minho) e Carlos Correia [4º Árbitro] (Minho)

H.C. Braga SAD: [1] Francisco “Xico” Veludo (GR), [9] Carlos Loureiro, [16] Gonçalo Meira (1), [73] Pedro Delgado “Bekas” (2), [17] Gonçalo Suíssas, [6] Ângelo Fernandes (C), [87] Tomás Castanheira [4] António Trabulo e [7] Márcio Rodrigues. Não jogou: [10] Gabriel Costa (GR).

Treinador: Vítor Silva

H.C. Turquel: [13] Marco Barros “Tuga” (GR), [22] Luís Silva, [24] André Pimenta, [9] Vasco Luís (C) (1), [7] André Moreira (1), [10] Samuel Santos (GR), [53] Pedro Vaz, [4] Daniel Matias, [58] Tiago Mateus e [57] João Silva “Janeka”.

Treinador: Nelson Lourenço

Faltas de Equipa: 12-5

Disciplina: Cartão Azul a [7] André Moreira (HCT) [2X] e [57] João Silva “Janeka” (HCT).

Resultado ao intervalo: 0-2

Resultado Final: 3-2

A época 2017/2018 terminou para os alvinegros e apesar de reconhecidamente os comandados de Jorge Godinho primeiro e Nelson Lourenço depois terem rubricado uma temporada menos conseguida, a equipa turquelense conseguiu chegar ao nono lugar no Campeonato Nacional da 1ª Divisão e foi eliminada pelo Hockey Breganze (Itália), tendo caído às portas da Final Four da Taça CERS. Momento mais negro da temporada foi mesmo a derrota por 6-1 frente ao Riba d’Ave (2ª Divisão) nos 16 Avos-de-Final da Taça de Portugal, resultado que precipitou a saída de Jorge Godinho em fevereiro de 2018. Ainda assim, a prestação turquelense, apesar de modesta, permitiu garantir a permanência a duas jornadas do fim e a Taça CERS a uma jornada do fim.

Na próxima temporada, espera-se que a “nau alvinegra” navegue por mares bem menos agitados, ainda que se saiba que no melhor campeonato do mundo não há facilidades e os esforços têm de ser redobrados.

Foto: António Silva